O Centro de Operações Integradas de Curitiba fica num prédio discreto no bairro do Rebouças. De fora, parece uma repartição pública comum. Por dentro, é uma sala de controle com 47 monitores, feeds de câmeras em tempo real, dashboards de tráfego, alertas de enchentes e um sistema de despacho de emergências que integra bombeiros, SAMU e guarda municipal.

Curitiba não inventou o conceito de cidade inteligente. Mas foi uma das primeiras cidades brasileiras a implementá-lo de forma sistemática — e a aprender com os próprios erros.

A primeira geração: tecnologia pela tecnologia

O coordenador do centro, engenheiro Marcos Veiga, lembra que a primeira fase, entre 2015 e 2018, foi marcada pelo entusiasmo com a tecnologia em si. "Compramos sensores, câmeras, sistemas. Mas não tínhamos processos para usar os dados que eles geravam. Era tecnologia pela tecnologia."

A virada veio quando a prefeitura contratou uma equipe de cientistas de dados e, mais importante, começou a envolver as secretarias usuárias no desenho dos sistemas. "O sistema de alerta de enchentes só ficou útil quando a Defesa Civil participou do desenvolvimento", diz Veiga.

O que realmente funciona

Hoje, os casos de uso mais efetivos são os mais simples: monitoramento de semáforos para reduzir congestionamentos, alertas precoces de enchentes nas bacias do Iguaçu e do Barigui, e um sistema de rastreamento de ônibus que reduziu o tempo de espera médio em 23%.

Os projetos mais ambiciosos — como o uso de IA para prever crimes — ficaram no papel ou foram abandonados após questionamentos sobre privacidade e eficácia.